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quarta-feira, 5 de maio de 2010

Nuno Pires na primeira pessoa (Parte2)

Se ontem falámos com o Nuno Pires sobre o Dualidades e de como vê actualmente Elvas, hoje continuamos com o seu ponto de vista sobre a nossa cidade, ou as dificuldades com que os portugueses se debatem com a crise. Também vamos conhecer um pouco mais das suas preferências turisticas e uma abordagem pelo mundo sportinguista. Não percam!

TP - Que perspectivas de futuro vês para Elvas?
NP - Elvas tem futuro, disso não tenho dúvida. E acredito que esse futuro passa pelo Turismo. É inegável a riqueza patrimonial de Elvas. Temos um conjunto monumental ímpar no mundo inteiro que, quer a Unesco o reconheça ou não, deve ser motor para dinamizar a economia local, criar postos de trabalho e gerar riqueza. Julgo que caminhamos nesse sentido, não sei é se tão depressa quanto seria necessário. Há que revitalizar o património, dar-lhe vida. É importante que quem nos visita tenha motivos de interesse, possa visitar igrejas e monumentos, seja devidamente acompanhado e saia de Elvas com boa impressão. E depois há que apostar numa boa divulgação!

TP - Portugal vive actualmente com graves problemas na economia, sendo mesmo apontado como o sucessor da Grécia na necessidade de apoio europeu. O Governo teima em afirmar que somos um caso muito diferente dos helénicos, mas os números contrariam esta posição. Pensas que entraremos em “falência” e só a EU nos poderá salvar?
NP - Bom, não sou nenhum especialista na matéria, mas a verdade é que a situação económica do país não é famosa e tem vindo a agravar-se. O problema principal da nossa economia é o facto de não registarmos crescimento. Se a isto somarmos o agravamento do endividamento do país a coisa complica-se. Governo e oposição parecem juntos nesta contenda de mostrar internacionalmente que somos capazes de resolver os nossos problemas. Prefiro esperar para ver e fazê-lo com algum optimismo.

TP - Achas que os nossos políticos têm condições para colocar Portugal no bom caminho?
NP - Acho que a classe política está desacreditada em Portugal. As altas abstenções nos momentos eleitorais provam-no bem. A política interna é feita muito à base da troca de insultos entre líderes partidários, em detrimento do debate de ideias que resolvam os principais problemas do país. Se o actual Governo parece não agradar a gregos e troianos, a verdade é que também não se identificam alternativas válidas.

TP - Muitos criticam a linha do TGV, pela qual há tanto tempo os elvenses suspiram, pois é considerado um projecto que afundará ainda mais o país pelo enorme investimento. Acreditas que a Plataforma Logística do Caia será o projecto que poderá fazer sair Elvas do “buraco”, devendo avançar mesmo contra a vontade de muitos?
NP - Acho que todos os que residimos neste zona interior do país temos esperança que a Plataforma Logística do Caia traga postos de trabalho e gere negócio. Infelizmente a conjuntura nacional e internacional jogam contra nós e a actual situação do país compromete a realização da obra. Apesar de reconhecer a sua importância para a região de Elvas, julgo não ser prudente aumentar ainda mais a dívida do país. Se o TGV fará Elvas sair do buraco ou não, só o tempo o dirá e ao ritmo que as coisas têm avançado talvez a nossa geração já não tire grande partido desse investimento.

TP - Rondão Almeida está no seu derradeiro mandato autárquico e já se comentam as próximas eleições para a Câmara. Como pensas que poderá ser a sucessão do actual presidente?
NP - Indiscutivelmente Rondão de Almeida marca as últimas duas décadas da vida política local. Goste-se ou não, há que reconhecer o trabalho desenvolvido que agrada a maioria dos elvenses, senão vejam-se os resultados eleitorais. Quanto à sua sucessão, julgo que sairá do actual executivo camarário, mas “prognósticos só no final do jogo”.

TP - Sempre que podes e a carteira o permite gostas de viajar. Qual a destino que mais apreciaste?
NP - Olha que ultimamente até tenho saído bem pouco, tenho-me cingido muito ao “vá para fora cá dentro” e a conhecer algumas cidades emblemáticas do país vizinho. No entanto, uma das viagens que mais me agradou foi à República Dominicana. Do melhor que pode haver ao nível do “dolce far niente”, apenas sol, praia e boa vida! Há outros destinos que podem parecer mais atractivos e que oferecem ofertas mais diversificadas, como sejam as capitais europeias. Confesso que ando muito tentado a dar um salto a Roma.

TP - Há pouco tempo surgiu o gosto pela fotografia, espelhado por diversas vezes no Dualidades. Qual o sítio que mais gostaste de fotografar?
NP - O gosto pela fotografia já vem de longa data, mas só ultimamente tenho investido mais nele. Não te consigo dizer qual o sítio que mais gostei de fotografar porque basicamente gosto é de fotografar : pessoas, sítios, tudo! A grande frustração que de momento sinto relativamente a esta paixão é a incapacidade de nas minhas fotografias transmitir a alma das coisas.

TP - És um apreciador de eventos culturais, em especial realizados na nossa cidade. Consideras Elvas uma cidade “eminentemente cultural” como afirma o amigo Xavier de Sousa?
NP - Considero que Elvas tem uma vida cultural dinâmica atendendo ao facto de estarmos situados no interior do país. Também a esse nível há que destacar o trabalho autárquico levado a cabo. As apostas na valorização do património, nos museus que têm surgido na cidade e nos espectáculos promovidos tornam-nos mais cosmopolitas. Quantas cidades do interior se podem gabar de ter um Museu de Arte Contemporânea? Através dele temos tido contacto com uma forma muito própria de arte que atrai a Elvas artistas plásticos e turismo de qualidade.

TP - Qual o espaço que mais gostas de visitar?
NP - Recentemente gostei bastante de visitar a Torre Fernandina. Além de nos contar mais alguns episódios da rica história elvense, oferece-nos uma panorâmica muito bonita sobre o casco histórico e toda a cidade. Faço votos de que continue a aposta na revitalização do património.

TP - A época futebolística está felizmente a terminar, em especial para nós sportinguistas. Qual achas que foi o problema para a péssima época “leonina”?
NP - Temos mesmo que falar deste assunto? Se tem que ser… Julgo que o problema parte de cima e o actual presidente do Sporting não se tem revelado o ideal para comandar os destinos do clube. A somar a isso “não se fazem omoletas sem ovos”.

TP - Na tua opinião qual será o caminho a seguir pela equipa do Sporting liderada pelo alentejano Paulo Sérgio, de forma a devolver aos adeptos as alegrias que tanto desejam?
NP - Muita coisa tem que mudar no Sporting da próxima época se queremos melhorar os maus resultados a que nos habituaram ultimamente, principalmente remodelar o plantel. Temos um historial muito importante que convêm dignificar e preservar. A situação económica do clube não permite grandes ambições, mas considero que o clube tem condições de um bom encaixe financeiro nas saídas que se prevêem. É preciso reforçar o plantel, por isso é importante que os dirigentes definam as posições prioritárias e invistam. Aposto no reforçar da baliza com a aquisição de um novo guarda-redes, bem como um “organizador de jogo”. Com a provável saída de Izmailov e João Moutinho, é necessário investir num bom médio ofensivo que comande o ataque e torne a equipa mais concretizadora. Vamos fazer votos de que na próxima época o nosso Sporting se reconcilie com os seus apoiantes e voltemos aos bons resultados.

TP - O que pede o Nuno Pires ao futuro?
NP - Este é um blog sério, convêm ter cautela nas respostas … ao futuro peço o mesmo que todos nós. Sou modesto nas minhas ambições e acima de tudo procuro estar bem comigo próprio porque isso reflecte-se no meu relacionamento com a vida e com os outros. Mas já que é para pedir : Saúde, Amor e Dinheiro.

TP - Foi uma verdadeira conversa entre dois amigos de longa data, com vários temas interessantes e que espero tenha sido do agrado dos leitores.
Friend obrigado, e aproveito para te desejar tudo de bom na vida pois bem mereces!

NP - Eu é que agradeço a amizade e retribuo os votos, mais ainda agora que vais ver a família aumentada. Felicidades para os três!

Scottish

terça-feira, 4 de maio de 2010

Nuno Pires na primeira pessoa (Parte 1)

O próximo convidado às entrevistas do Três Paixões é um grande amigo pessoal e desta casa, tendo sido um dos grandes impulsionadores para a criação do blogue. Tal como este Humilde Observador, o destino quis que o nosso posto de trabalho fosse na terra do café, mas a alma é 100% elvense. Também é formador e grande adepto de viajar, sportinguista de gema e utilizador da internet, quer através das redes sociais, quer pelo prestigiado blogue Dualidades, vencedor do Prémio Zé de Mello 2008 na categoria de Blogosfera Elvense.
Vamos conhecer um pouco mais alguém que gosta do anonimato, mas que aceitou de imediato esta conversa de amigos ao qual desde já quero agradecer.

TP - O Três Paixões viu a luz do dia muito pelo teu incentivo, pois já tinhas alguma experiência e conhecimentos através do teu trabalho com o Dualidades. Como começou a tua aventura pela blogosfera junto do sócio JP?
NP - Quanto ao Três Paixões, lisonjeia-me muito que afirmes ter sido um dos grandes impulsionadores da sua criação. Recordo-me que ao descrever-te a minha nova experiência ao nível da blogosfera e o que de bom tinha encontrado, percebi de imediato que tinhas ficado entusiasmado, ao ponto de finalmente deitares cá para fora o teu gosto pela escrita e pelas tuas paixões. Da mesma forma que O Três Paixões, o Dualidades também começou por acaso, numa almoçarada, e através do incentivo de um casal amigo, ambos já bloggers na altura. Debatendo a ideia com o sócio JP nasceu a ideia de um projecto a duas mãos onde seria interessante destacar duas vivências diferentes, uma na capital e outra na província, de dois amigos com formas de ser e estar também diferentes. Quisemos transmitir duas experiências distintas de ver e viver o dia-a-dia e julgo que o temos conseguido. Considero interessante comparar diferentes posturas e actuações face a uma mesma realidade, influenciadas por vivências e contextos diferentes.

TP - Desde a fundação no dia 13 de Novembro de 2007, o Dualidade já regista cerca de 79 mil visitas, sendo sem dúvida um dos mais “clicados” da Blogosfera Elvense. Na tua opinião a que se deve este sucesso de visitas?
NP - Aos amigos! Felizmente ao Dualidades acorrem quase diariamente muitos amigos dos sócios duais, pessoas que já faziam parte das nossas vidas antes deste projecto ter sido iniciado e outras que nos descobriram através do blogue e com as quais criámos laços. São quase dois anos e meio de convivência diária e outros tantos posts abordando as mais diversas temáticas de forma despretensiosa, apenas na busca de uma salutar troca de ideias.

TP - A diversidade de opiniões pelas vivências de cada sócio, é a ideia central do blogue. Como se dão um sportinguista e um benfiquista, um que vive em Elvas e outro que está em Lisboa, sendo estas as principais Dualidades?
NP - O JP e eu somos amigos há mais de vinte anos e normalmente temos opiniões muito diferentes sobre a maioria dos assuntos. Arriscaria até dizer que quase nunca estamos de acordo sobre tema nenhum. No entanto isso não impede que seja um dos meus maiores amigos e que sempre nos tenhamos entendido bem através de um civilizado debate de ideias. A coisa só se complica quando falamos de futebol…Confesso que nesse campo a racionalidade do discurso nem sempre impera.

TP - As habituais rubricas como o “Oito e Oitenta” nas quartas-feiras, a “Sugestão Dual” nos sábados, ou “As escolhas do Dualidades” nos domingos, já contam com muitas edições. Se os sócios têm uma alternância diária na elaboração dos posts, como fazem para a realização das escolhas musicais de domingo, num duelo interessante para ver quem tem o melhor gosto musical?
NP - Devo confessar que a ideia da rubrica “Sugestão Dual” foi do sócio JP. O seu a seu dono. Sempre tivemos preferências musicais diferentes e resolvemos submetê-las à apreciação dos amigos que visitam o Dualidades para tentar perceber qual delas obtém mais apoios. Acho que a pouco e pouco o JP se está a convencer de que eu tenho muito melhor gosto musical que ele. Considero que esta é uma das rubricas mais bem sucedidas do nosso blogue. Cada um de nós define a sua preferência musical, sem que troquemos impressões sobre o assunto. O link é colado no post de cada domingo e só nesse dia temos conhecimento da escolha do outro sócio. Depois é só aguardar pelas opiniões dos votantes.

TP - Recentemente aconteceu a tragédia de terem perdido quase tudo através do link original do blogue. O que se passou?
NP - Foi um episódio fatídico no jovem percurso de vida do Dualidades que ainda hoje não está completamente ultrapassado. Apesar de não termos perdido o histórico dos posts publicados, perdemos o contacto com alguns dos visitantes que ainda hoje se devem perguntar “o que aconteceu a estes dois cromos?”. A perda do link prendeu-se com um desaire técnico do qual o sócio JP não gosta muito de falar… Vamos respeitar a vontade do rapaz.

TP - Falando mais do Nuno Pires como pessoa. Como te definirias?
NP - Nunca é muito fácil falar de nós próprios, preferimos sempre que sejam os que nos rodeiam a fazê-lo. No entanto, se tiver que me definir, posso dizer que sou um típico nativo de Balança, como tu, amigo do seu amigo, frontal, extrovertido e que procura sempre que haja justiça nas suas atitudes, apesar de nem sempre o conseguir.

TP - Sendo elvense de gema, o que pensas do estado actual da nossa cidade?
NP - Como referiste na tua introdução, sou 100% elvense e dificilmente me veria longe da nossa Elvas natal. Preocupa-me a realidade económica da nossa cidade, a falta de oportunidades de trabalho para os mais jovens que, concluída a sua vida escolar, se fixam nos grandes centros e não regressam. Preocupa-me o facto de tu, tal como eu e outras tantas dezenas, termos que diariamente rumar ao concelho vizinho de Campo Maior para trabalhar. Estamos a pagar a factura das assimetrias que ao longo dos tempos foram sendo acentuadas pelos sucessivos governos de Lisboa com o encerramento de muitas valências que tornaram Elvas menos viva.

Não perca amanhã a segunda parte da conversa com Nuno Pires.

Scottish

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Conversa com Marco Galego

Marco Galego é o coordenador técnico do basquetebol do Clube Elvense de Natação, acumulando a função com a de treinador da equipa de Sub-14 masculina e dos juniores da Asociación de Baloncesto Pacense (ABP). Já há muitos anos ligado ao basquetebol em Elvas e Badajoz, o entrevistado desta semana vai falar sobre o passado, presente e futuro da modalidade na nossa cidade, mostrando a sua ambição em chegar mais alto na carreira de treinador.

TP - És “coach” de duas equipas em clubes diferentes. Esta situação é complicada de gerir?
MG - Antes de mais agradecer-te a oportunidade de falar da modalidade, já que cada vez vamos tendo menos relevância em tudo o que é noticias a nível regional ou nacional.
De facto alguns dias não é fácil de gerir, uma vez que os jogos fora não são do nosso controlo e podem coincidir. Para provar que é complicado, na segunda-feira tive de faltar ao treino em Elvas porque tive jogo em Cáceres as 20h com o ABP.


TP - A tua carreira como treinador já passou por situações bem diferentes, como treinares os minis em Elvas, seres seleccionador regional do Alentejo em Sub-16 masculinos por várias vezes, passando pelo outro lado da fronteira como adjunto do Baloncesto Feminino Badajoz na principal Liga espanhola, ou a tua equipa júnior no ABP. Esta diversidade de experiências tem-te consolidado como treinador?
MG - É verdade, posso dizer que já treinei todos os escalões, e que muito tenho aprendido ao longo dos 15 anos que estou como treinador pelos três clubes que já passei, pelas sete épocas de seleccionador regional do Alentejo, e uns quantos estágios como treinador convidado das selecções nacionais femininas. Felizmente tive a oportunidade de poder trabalhar com muitos bons treinadores aprendendo bastante com eles, e penso que os resultados têm aparecido pelo conjunto destas situações ao longo dos últimos anos.

TP - Deves recordar-te do teu começo no CEN como jogador e os teus primeiros passos a orientar equipas. Como era nessa altura o clube e a modalidade na nossa cidade?
MG - Lembro-me perfeitamente quando cheguei ao basquetebol com 15 anos, através de um convite do Ricky (Ricardo Rondão) ao grupo de amigos da escola que já fazíamos umas brincadeiras. Nesse ano o clube só tinha uma equipa em competição e com a nossa em formação, surge a consolidação definitiva da modalidade em Elvas.
Nos anos seguintes o crescimento foi incrível, chegando o CEN a ter todos os escalões masculinos e femininos em competição, registando cerca de 200 atletas federados. Quanto ao meu início como treinador foi algo que não estava à espera na altura, uma vez que apenas tinha 18 anos. Mas pela impossibilidade profissional na altura do treinador dos iniciados eu aceitei e por aqui ando…


TP - Hoje a realidade é bem diferente, com uma maior oferta desportiva para os miúdos de Elvas. Em 2009 regressaste junto com um grupo de ex-jogadores e ex-treinadores ao CEN, com a clara intenção de começarem pela base, ou seja o minibasquetebol. O arranque desse projecto foi o desejado?
MG - Foi claramente o arranque desejado. Após muitas conversas de café deste grupo de amigos de longa data, resolvemos pedir ao CEN que nos deixasse voltar a trabalhar o basquetebol em Elvas.
O começar pelos "minis" foi a melhor opção que podíamos ter tido nessa altura, e a prova está que na época passada acabámos com 50 atletas inscritos. Fomos o segundo clube do Alentejo com mais inscrições, e este ano já levamos 80 federados, tendo estabelecido como meta no princípio da temporada o mágico número de 100 atletas, meta que parecia impossível e que neste momento está quase…


TP - Começaram com os "minis", mas agora já contam com duas equipas em competição no escalão de Sub-14, das quais és responsável pelos masculinos. Foi uma aposta acertada e com os resultados pretendidos?
MG - Penso que sim, que fazia falta aos miúdos o contacto com a competição mesmo que este contacto esteja a ser feito sem objectivos a nível de resultados. Apenas queremos que os “minis” sintam o que é o jogo o mais cedo possível, e os que já são Sub-14 possam divertir-se competindo. Penso que o trabalho que estamos a desenvolver está a dar os seus frutos, tanto no masculino como no feminino.

TP - Qual o futuro que podemos esperar os elvenses do basquetebol na nossa cidade?
MG - O futuro apresenta-se muito sorridente, uma vez que temos uma geração de “minis” muito gira e que que dentro de 2 anos, quando sejam Sub-14, nos permite pensar em lutarmos por estar a competir a nível nacional.
Assim o (curto) espaço no Pavilhão nos permita poder desenvolver o trabalho que eles precisam, e que os actuais elementos da secção possam aumentar o número de tripulantes para navegar um barco que felizmente está a ficar muito grande! Necessitamos de mais seccionistas, mais treinadores para darmos qualidade ao trabalho que pretendemos desenvolver, e mais espaço no pavilhão.


TP - No início da presente época esteve quase a “arrancar” uma equipa sénior de basquetebol n’”O Elvas”. A ideia acabou por não se concretizar, mas concordas que numa cidade tão pequena como a nossa existam dois clubes com a mesma modalidade?
MG - Eu pessoalmente não concordo que numa cidade como a nossa existam dois clubes com a mesma modalidade, seja ela qual for. Esta dualidade só vai originar mais gastos e menos concentração de talentos na representação do nome da nossa cidade nos respectivos campeonatos.
Elvas merece e pode ter equipas competitivas em todas as modalidades, pois tem treinadores para isso.


TP - Como acima referi também treinas em Badajoz. O teu futuro passará pela cidade pacense com a continuidade na equipa júnior do ABP ou darás um passo em frente para um projecto mais ambicioso?
MG - Essa é uma pergunta difícil de responder… Eu estou sempre à procura de mais, sou demasiado competitivo para me contentar com o que tenho. Em princípio vou continuar com a equipa júnior que actualmente oriento, uma vez que será o meu terceiro ano com eles e quero tentar conquistar o título que me falta na Extremadura.
Mas isto sem fechar os olhos à possibilidade de regressar a uma equipa sénior já na próxima época.


TP - O CEN continuará a contar com o treinador Marco Galego?
MG - O CEN contará sempre e para sempre com o Marco Galego. Foi um clube onde passei muitos anos da minha vida e foi com o CEN que tive a oportunidade de fazer o que gosto. Poderei estar mais ou menos presente directamente na vida do basquetebol do CEN, mas estarei sempre disponível para ajudar.

TP - Qual o momento que mais te marcou positivamente até agora?
MG - Sem margem para dúvidas o mês de Abril de 2007, onde fui vice-campeão de Espanha de Seniores na “Liga Femenina 2” e consequente subida à Liga mais competitiva da Europa, campeão da Extremadura em Juniores Femininos, e levar a Selecção do Alentejo de Iniciados Masculinos ao título da Divisão “B” com a consequente subida à Divisão “A”. Estes foram momentos de grande alegria, mas de muito esforço e empenhamento em 15 dias de muita pressão competitiva e com muitos quilómetros, desde Andorra com as seniores a Portimão com a Selecção, terminando em Badajoz com as Juniores.

TP - E o mais negativo?
MG - O último jogo na “Liga Feminina 1” com 3000 pessoas no Pavilhão da Granadilla em Badajoz. O nosso jogo tinha terminado com a necessária vitoria e estávamos todos no pavilhão com os ouvidos em Saragoça, onde a outra equipa que lutava pela permanência estava a jogar o último minuto, e um jornalista estava a fazer o relato em directo via telemóvel. As coisas até estavam a correr bem, quando a poucos segundos do fim, um triplo de Saragoça deixou a Granadilla em lágrimas. Foi uma pena pelo esforço desenvolvido a todos os níveis por um clube pequeno, que muito tem feito pelo basquetebol feminino da Extremadura.

TP - Recentemente foste convidado pela Escola Nacional de Basquetebol para seres um dos prelectores do Curso de Nível 1 de treinadores, que se realizará em Junho na cidade de Évora. Serás colega do conhecido José Salgueiro, numa clara alteração da formação dada no Alentejo. Desde já os meus parabéns, mas gostaria de saber o que pensas deste convite?
MG - Muito obrigado. Para mim é uma honra receber este convite da ENMB, e vou fazer os possíveis para não defraudar esta aposta na minha pessoa para a formação de novos treinadores. Acima de tudo vou tentar transmitir tudo aquilo que fui aprendendo ao logo dos anos, tanto em Portugal como em Espanha.

TP - Até onde chegará o Marco Galego?
MG - Eu quero chegar ao topo! Sei que ainda tenho um longo caminho por percorrer mas vou lá chegar.

Espero que essa ambição se concretize pela amizade que nos une e por ter vontade de ver um elvense subir na paixão do basquetebol. Agradecer ao Phill (como lhe chamamos desde sempre os amigos) o ter aceite responder a esta entrevista e desejar que consiga realizar todos os seus sonhos, sem se esquecer de ajudar a construir um futuro sólido e repleto de êxitos desportivos do basquetebol do CEN.

Scottish

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Luís Pedras, a pessoa (2ªparte)

Nesta segunda parte da entrevista ao Luís Pedras, a conversa andou sobre o seu SLB, o desporto em Elvas, em particular o futebol, o nosso artesanato, o estado actual em que se encontra politicamente a nossa cidade, e qual o futuro que os elvenses podemos esperar.
A palavra é do líder local do Bloco de Esquerda.

TP – Sei que gostas de desporto, em especial o futebol. É desta que vais comemorar o título nacional?
LP - Não sei Scottish, ainda agora começou a 2ª volta e como sabes esta é uma prova essencialmente de regularidade. É um facto que o meu SLB só tem uma derrota com o Braga e têm ambos os mesmos pontos. O teu SCP se perder na próxima jornada poderá ficar definitivamente despachado a 15 pontos, e o FCP está a 6 e cada vez a jogar pior. Só por sorte não saiu da Taça, enquanto o meu SLB dá gosto ver jogar. O melhor ataque da Europa com 44 golos é obra, portanto é melhor encomendar as faixas e pensar fazermos a festa do GLORIOSO na rotunda.

TP – Falando de futebol. Acompanhas “O Elvas”? Como vês actualmente o clube?
LP - Sou adepto d'"O Elvas", e todos os clubes têm problemas. Nós tivemos já num bom patamar mas subiu-nos o rei à barriga e derrapámos por aí fora até chegar a esta humilhante e frustrante posição (distrital). A incongruência e falta de apoio das sucessivas direcções ditou o actual rumo do clube, no entanto não se pode deitar a toalha ao chão, há que levantar a cabeça e apoiarmos o clube. A união faz a força e Elvas precisa de um Clube Alentejano de Desportos forte e competitivo. Penso que se está a fazer um excelente trabalho nos escalões de formação e se deve apoiar com mais determinação e discernimento, pois de pequenino é que se torce o pepino, apesar de já ninguém trabalhar por amor à camisola, mas esta camisola tem de ser bem suada e respeitada por todos os atletas e dirigentes.

TP – O que achas que se deveria fazer para o clube voltar a marcar presença num patamar mais importante a nível nacional?
LP - Talvez o modelo já adoptado por outros clubes para terem alguma injecção de capital com a criação das S.A., ficando sempre o clube com 51% dos activos. Este é um problema demasiado grande. Penso que "O Elvas" nos próximos tempos (10 anos) não tem capacidade para enfrentar esse tipo de desafios, e talvez a melhor opção seja de facto uma opção similar aquela que adoptou o Campomaiorense à bastante tempo, a formação, pois temos que fazer a sementeira à nossa medida.

TP – A oferta desportiva que os jovens elvenses dispõem é bem maior do que na nossa altura. Como vês o desporto na nossa cidade?
LP - Não tenho duvidas nenhumas em afirmar que o parque desportivo de Elvas é dos melhores do interior de Portugal e regozijo-me por tal. De facto os complexos que foram criados possibilitam uma diversidade de modalidades que no nosso tempo não tínhamos. As próprias freguesias rurais já dispoêm também de bons complexos desportivos sabendo nós que há cidades e vilas por esse pais que não têm nada parecido. Portanto felicito o esforço que se têm vindo a fazer nesta área, e recordo-te que em 2008, por proposta minha na Assembleia Municipal, foi aprovada uma moção de louvor a "O Elvas" e "Os Elvenses" pela excelente performance competitiva e títulos alcançados em todos os escalões de formação.
Falando de apoios, a Câmara Municipal não pode ser constantemente o bombeiro salvador de todas as colectividades e clubes, pois a subsidio-dependência é uma má política para todas as direcções. A imaginação, criatividade, espírito de empreendimento são as chaves para muitos problemas que atravessam associações, colectividades e clubes. Captar a atenção de empresários através de projectos apelativos, inovadores e acima de tudo exequíveis, é o caminho a seguir. Por outro lado já é tempo de se incentivar os melhores atletas, através de prémios por revelação, mérito das suas prestações regionais, nacionais e também internacionais. Penso que esta é uma forma de estimular mais a competição entre os atletas.


TP – Voltando às tuas profissões, consideras que o nosso artesanato está a melhorar e a ganhar importância, ou necessitaria de alguma remodelação?
LP - O artesanato sempre teve a sua importância quando bem contextualizado, isto é, não faz sentido a olaria tradicional por exemplo do Redondo estar a fabricar travessas em forma de peixe feitas por máquinas, e mais grave ainda decoradas com flores típicas dos pratos. Neste sentido é preciso reequacionar métodos, estabelecer processos e definir programas, porque só assim é que se consegue manter uma identidade. Por outro lado podem-se e devem-se estabelecer pontes, comunhões entre o tradicional e o moderno, e a realização de feiras de artesanato deve obedecer a regras, normas e perfis pré-estabelecidos, senão não passam de simples feiras de actividades económicas. Neste sentido é necessário proteger o verdadeiro artífice ou artesão, e por isto estou neste momento a desenvolver um projecto de uma associação transfronteiriça de artistas plásticos. Penso que é um projecto pioneiro tendo em conta o desenvolvimento de conceitos de eurocidades, e que pode trazer bastantes benefícios para todos os artistas. A interactividade e o intercâmbio de conhecimentos é sempre uma mais valia para todos. O artesão deve apostar sobretudo no rigor e qualidade em detrimento da quantidade. Só assim se pode entrar com sucesso nesta sociedade onde cada vez mais impera a competitividade.

TP – Estando a entrevistar um candidato à autarquia, mas sem querer entrar em discussões políticas, e despindo a camisola do partido, gostaria de saber como vês actualmente a nossa cidade de uma forma global?
LP - Sinceramente essa história de mimetismo, isto é adaptar-se ao meio segundo as circunstâncias ou despir a camisola segundo as intenções, não me diz absolutamente nada. Um homem é aquilo que é e nada mais, porque o resto chama-se pedantismo, ser aquilo que realmente não é. A nossa cidade sofreu nos últimos anos muito desenvolvimento estrutural e consequentemente a qualidade de vida dos elvenses melhorou indubitavelmente. A recuperação da biblioteca, do cine-teatro e do antigo Cine São Mateus, do Estádio Municipal e Piscinas Municipais, o saneamento básico, a circular, embora lhe falte a ciclo-via o que considero imperdoável, quando se desenvolvem conceitos de sustentabilidade urbanística. No entanto e comparando com anteriores gestões, esta tem conseguido algum progresso e desenvolvimento para o concelho. Já tive oportunidade para o dizer e seria hipócrita senão o fizesse, esta é a minha forma de estar na politica, com energia positiva. Por outro lado regozijo-me por algumas propostas que tenho vindo a fazer tanto na Assembleia Municipal como no programa que apresentei, estarem a ser reformuladas e aproveitadas e felicito os responsáveis por terem essa coragem.
Elvas globalmente melhorou isso é inegável, embora ainda faltem equipamentos fundamentais como um Centro Cultural, uma praia fluvial porque temos todas as condições para desenvolver um projecto deste tipo, e o turismo necessita de uma politica estrutural e sustentável, pois medidas avulsas não se compadecem com o futuro. Penso que no entanto chegou a hora de unir, de juntar forças, para que de uma forma honesta e leal se criem condições e compromissos de reciprocidade. Para uma democracia participativa é necessário envolver mais os cidadãos, comprometê-los com a vida da cidade, pois às vezes num pequeno pormenor reside a diferença.


TP – Ninguém tem uma varinha mágica para resolver os problemas, mas na tua opinião o que se poderia fazer para debelar os problemas existentes?
LP - Implementar a Agenda 21, isto é, promover a democracia participativa nos conselhos municipais, comissão municipal para o turismo, provedor do munícipe, mais abertura, discussão e debate. Duas cabeças pensam melhor que uma e três melhor que duas. A democracia também significa assertividade e é fundamental saber conviver com a critica de uma forma positiva, sem rancor ou retaliação. Vivemos numa sociedade moderna e é fundamental que esse modernismo chegue também às mentalidades. Ser justo com as pessoas revela sobretudo capacidade de tolerância, a relação de proximidade entre o cidadão e o político estabelece mais confiança e ajuda a desvanecer o cepticismo.

TP – Pensas, como cidadão elvense, que o nosso futuro está profundamente ligado ao TGV, comboio de mercadorias e plataforma logística?
LP - Este projecto é vital para o futuro de Elvas tanto em termos de emprego como de desenvolvimento. É sem duvida uma mais-valia fundamental para a afirmação da nossa região, tal como é a candidatura das nossas fortificações a património mundial. Considero que se estes dois projectos forem uma realidade, a nossa cidade dará um passo de gigante para sair da crise. Outro projecto também importante é a construção da prisão em Vila Fernando, e com a consolidação destes projectos estão reunidas todas as condições para se captar mais investimento em empreendimentos turísticos, serviços e transportes. Sou bastante optimista e penso que se está a fazer tudo para que sejam uma realidade muito próxima.

TP – Os elvenses vão contar com o Luís Pedras, num futuro a médio e longo prazo, como político local? Há motivação para continuar ou pretendes dar o salto para voos mais altos?
LP - O Luís Pedras sabe bem aquilo que quer. Neste momento estou muito empenhado e entusiasmado com a minha actividade artística de ceramista, e provavelmente não vou estar disponível para assumir mais cargos dentro do BE. Possivelmente não me irei recandidatar para a Comissão Coordenadora Distrital, e em termos Concelhios vamos ver também como será. Quando se pretende descentralizar, regionalizar e se sente que o partido está cada vez mais urbano e assimétrico, então há algo que não funciona e as ultimas eleições disseram-me isso mesmo. O meu activismo político está intacto e de boa saúde, mas nada está decidido. Os problemas são debatidos em local próprio e em sede própria, a liberdade de cada um é também a liberdade de todos, e quando se estabelecem regras também se estabelecem direitos. Para se fazerem omoletes são necessários ovos...

Creio que o amigo Luís Pedras com esta entrevista nos deu a oportunidade de conhecer um pouco melhor quem é o líder local do BE. Foi sem dúvida uma conversa de amigos, sem tabus políticos, e desde já agradeço a pronta disponibilidade do Luís quando lhe pedi a entrevista.

Scottish

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Luís Pedras, a pessoa (1ªparte)

Luís Pedras é o líder da concelhia do Bloco de Esquerda na nossa cidade. Foi candidato pelo seu partido nas últimas eleições autárquicas, tendo sido a terceira força política mais votada. Tem 44 anos, é casado, pai de 2 filhos, e conheci-o quando trabalhámos num Despachante Oficial, no tempo em que ainda havia fronteiras na UE. Agora é artesão e formador de artesanato, e desde 1995 está na política.
Não conseguiu entrar na Câmara como vereador e só na Assembleia Municipal o BE registou um mandato, no caso, o Alcides Silva.

O Três Paixões vai dar a conhecer a pessoa, e desde já agradeço a amabilidade desta entrevista ao Luís Pedras. Será publicada em duas partes, e nesta primeira falamos de como surgiu a política no seu caminho, de como a família o apoia, ou do passado e presente profissional tendo como base a olaria. A não perder!

Três Paixões – Quando sentiste que a política te atraía?
Luís Pedras - Desde muito cedo que me interesso pela política. Quando era aluno do 10º ano na Secundária já estava ligado à JS. Fui apoiante da primeira candidatura de Mário Soares à presidência, e o socialismo democrático sempre norteou a minha consciência política. Considero que os pilares de uma sociedade moderna assentam num estado verdadeiramente social, onde todos sem excepção tenham igualdade de oportunidades, direito a uma habitação digna, direitos iguais à educação, saúde, trabalho e justiça, no fundo é a essência da nossa Constituição.
A política é um dos status da nossa natureza, pois o homem é um animal político, mas a política surge em mim como uma necessidade cívica. Denunciar, alertar para os atropelos constantes desta sociedade assimétrica, é na verdade a condição "si ne qua non" da minha vivência. A arte também me revelou a necessidade desta atitude, a pintura de Goya "Os Fuzilamentos" ou o quadro "Guernica" de Picasso ilustram perfeitamente esta coexistência ou dualidade arte/política.


TP – Identificavas-te na altura com os ideais políticos dos partidos que existiam, ou só decidiste avançar quando surge o BE?
LP - Como referi anteriormente os meus ideais são socialistas, um socialismo moderno e democrático que enfrenta as preocupações e problemas sociais com determinação e frontalidade. Não vale a pena andar a esconder os tabus, eles existem, fazem parte de nós, desta sociedade, e por mais fracturantes que sejam têm que ser enfrentados e resolvidos, como por exemplo o aborto ou o casamento/união de facto de cidadãos do mesmo sexo. A nossa sociedade não pode perder o comboio da evolução, o conservadorismo só serve para ocultar verdades, a dialéctica existencial sobrepõe-se a qualquer ideal político. Sempre foi esta a minha visão politica, desde os tempos da JS, passando por uma candidatura como independente à Junta de Freguesia de Caia e São Pedro, apoiada pela CDU de João Vintém. Portanto ainda não existia o BE, somente em 2004 comecei a actividade politica com o BE, e em 2005 tornei-me militante e criou-se a CCD. Desde então faço parte da comissão eleita, fui eleito deputado municipal de 2005 a 2009 sendo o melhor resultado do BE em todo o Alentejo.

TP – Qual foi a opinião da tua família quando avançaste para a política?
LP - A posição da minha família sempre foi bastante assertiva, respeitou sempre esta decisão, no entanto como todas as famílias não gosta de ver o seu tempo, o tempo da família que considero extremamente importante e fundamental para estabelecer uma boa relação, ser "usurpado", retirado. Quando se está em campanhas eleitorais sofremos um desgaste físico e mental verdadeiramente avassalador, e é perfeitamente lógico e compreensível que os níveis de preocupação subam bastante por todos aqueles que nos amam e gostam de nós.

TP – Mudando de assunto. Trabalhas-te comigo num Despachante Oficial, mas quando esse capítulo da nossa vida encerrou, por onde estiveste?
LP - Como sabes ainda estive cerca de 9/10 anos nessa actividade. Depois da data fatídica de 01/01/1993, o mercado único, a abertura das fronteiras foi realmente uma machadada enorme na economia local e no emprego. Não foi fácil de repente ficar desempregado, mas não desarmei, não deitei a toalha ao chão. Sempre fui um amante das artes e assumi essa condição de artífice e artista. Muitas vezes digo que há males que vêem por bem e assim aconteceu, pois abracei esta arte, este ofício com determinação e muita responsabilidade. Fiz a minha formação com bons mestres oleiros tradicionais e mestres estrangeiros de renome internacional como o mestre Kimura, ou o grande mestre espanhol Arcádio Blasco. Realmente consegui absorver toda a essência desta arte ancestral através dos conhecimentos, do ensinamento ao longo de cerca de 16 anos com estes mestres e a experiência e reconhecimento através de prémios regionais, nacionais, e internacionais, feiras e exposições individuais e colectivas.
Penso que somente com empenho, dedicação, prazer e satisfação, rigor e qualidade, é que podemos enfrentar esta sociedade cada vez mais competitiva e exigente. A olaria, a comunhão dos quatro elementos da formação do mundo, a terra (barro), o ar (O2), a água e o fogo, o domínio do fogo, deu-me outra visão da arte.
A actividade como formador também ocupou parte destes anos, pois ministrei diversos cursos de formação profissional, worshops e formação durante 10 anos no Centro Educativo de Vila Fernando. Considero mesmo que este foi o maior desafio pedagógico que tive e ao mesmo tempo uma experiência muito enriquecedora. Sou formador desde 1995 e sempre na área obviamente da cerâmica, concretamente azulejaria, decoração cerâmica, modelação, RAKU e ÁGATA, e roda tradicional.


TP – A olaria é uma virtude, uma paixão, ou foi a possibilidade de seguir em frente?
LP - Como sabes a poesia filosófica, a arqueologia, a antropologia e a paleontologia foram sempre áreas ou ciências que me despertaram interesse e curiosidade. A necessidade de compreender bem o nosso passado para poder explicar melhor o presente sempre me fascinou, e a olaria estabelece essa ponte entre o passado e o presente através do domínio do fogo, técnicas de modelação, preparação de pastas e a própria cromática (os óxidos). É esta versatilidade e potencialidade que nos oferece a cerâmica, que me seduziu inexoravelmente.
Depois desenvolver projectos como o "Fénix-renascer da ronca de Elvas" e verificar que se estão a revitalizar, a recuperar tradições, no fundo alimentar a raíz da nossa identidade cultural, mergulhar nessa memória colectiva e emergir com uma lufada de ar fresco. Dá-me muito prazer e satisfação, porque sinto que estou a contribuir positivamente para que a nossa essência cultural não se desvaneça.


TP – Tens muitos alunos? Quais as idades?
LP - Todos sabemos as idades dos formandos que tinha no Centro Educativo de Vila Fernando, enquanto na formação profissional já aparecem alunos de praticamente todas as faixas etárias desde que sejam adultos. Por exemplo, o workshop na ESE de Porlalegre eram os futuros professores de EVT, enquanto que na Escola Básica 2,3 nº2 da Boa-fé eram alunos e pais em interactividade sobre as roncas.

Não perca amanhã a segunda parte da entrevista a Luís Pedras.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

T-Wine ao mais alto nível com Zé Calado (2ªparte)

Ontem a conversa com o Zé Calado incidiu no arranque do projecto Tea & Wine, na mudança de conceito para o actual bar de noite, do gosto pelo design, e a área na qual centrou os seus estudos, a arquitectura.
Hoje iremos ter a sua opinião sobre as festas de Verão, sobre a "noite" elvense e um breve esboço de melhorias na nossa cidade por parte da veia de arquitecto.

Três Paixões - Nos dois últimos anos tivemos o bar encerrado durante o Verão. Sei que o fecho é por falta de clientela nessa época do ano, mas havendo esplanada, a que se deve o afastamento das pessoas, ao contrário do que acontece no Inverno?
Zé Calado - Eu acho que é por tradição, pois eu mesmo o fazia, mas também pela falta de mais espaços no centro histórico. A esplanada do Nautilus esta interiorizada no nosso subconsciente, já que foi durante anos o ponto de encontro das noites de verão. O T-Wine é sem dúvida um bar de inverno, pelas características físicas e funcionais.
TP - O T-Wine é habitualmente quem "mexe" Elvas no Verão com as suas mega Festas nos jardins do Varchotel. Este ano o leque foi alargado com a "Welcome Summer", a 3ª edição da "I Love 80's", e a "Festa Branca". A que se deveu essa opção?
ZC - Tem a ver com vários factores. Um deles é o que está directamente ligado ao T-Wine, uma vez que encerra no verão, propõe sim pelo menos uma festa por mês, num espaço que cada vez mais tem condições para fazer grandes eventos, e por outro animar um bocado a nossa terrinha que bem precisa.
TP - A Havaiana é a Festa do Verão em Elvas?
ZC - Eu acho que sim, é sem dúvida a festa de verão com mais tradição, que muito antes de eu fazer parte da organização, abrangia um leque de pessoas a nível do concelho e até distrital. Nestes últimos anos foram-lhe dadas cada vez mais condições, ao nível do recinto, do cartaz, e da divulgação, o que fez que alcançasse umas proporções muito consideráveis. Palavras do nosso patrocinador da Bacardi: "a maior festa do Alentejo".
TP - Este ano o investimento aumentou consideravelmente com a vinda do DJ The Fox. Tanto assim foi, que pela primeira vez houve necessidade de se cobrar entrada, situação que muitos criticaram. Sabendo que os "cachets" dos DJ’s são elevados, pensas que foi uma aposta ganha, tendo sido um passo em frente na evolução da Havaiana?
ZC - O meu objectivo este ano foi dar algo mais à Festa Havaiana, tentar alcançar o nível de outras festas feitas em Portugal, recorrendo a um DJ de renome. Essa aposta saiu bastante mais cara do que inicialmente pensava, o que fez com que tivéssemos de recorrer à cobrança de uma entrada, coisa que é feita em todas as festas destas características. Se foi uma aposta ganha? Acho que resultou, mas ainda existem muitas arestas por limar e se a organização da 8ª edição da Havaiana em 2010 estiver a meu cargo, vou sem dúvida criar as condições para tornar a Havaiana uma das melhores festas de verão do Alentejo.
TP - Voltando ao T-Wine, o horário actual é Sextas, Sábados, a primeira Quinta-Feira de cada mês, e vésperas de feriados, até às 2h da manhã, havendo a possibilidade do horário ser alargado até às 4h quando há festas. É o horário ideal para o conceito actual do T-Wine?
ZC - Sim, o T-Wine pela sua estrutura funciona com 5 pessoas no staff, ou 6 em festas, o que faz com que não seja viável o funcionamento durante a semana. O horário... Gostaria de poder funcionar até às 4h como os outros bares, mas no centro histórico está difícil.
TP - Qual a tua opinião sobre a "noite" de Elvas?
ZC - Em primeiro lugar acho que a pessoas gostam de variedade, e disso não temos muito, e em segundo não existe uma aposta na qualidade, nem musical, nem de serviço. Pontuação de 0 a 10, Elvas infelizmente tem um 4!
TP - Estando a falar com um arquitecto, não poderia deixar de perguntar o que achas do nosso Centro Histórico e da candidatura elvense a Património Mundial?
ZC - Acho que Elvas tem potencial, tem características arquitectónicas espectaculares, mas existe muito trabalho por fazer. Estou convencido que poderá lá chegar, mas vai levar muito tempo, há muita coisa para ser feita.
TP - És da opinião que promovendo o Centro Histórico e havendo mais bares como o T-Wine, estes poderiam ser parte importante para manter as pessoas na zona "intra-muros"?
ZC - Sem dúvida, mais bares, mais equipamentos, é uma opção para manter Elvas viva. Eu próprio vivo no Centro Histórico, e as dificuldades ao nível da circulação, estacionamento e ausência de equipamentos, faz com que as pessoas optem por sair do centro.
TP - O que pensas poder ser feito para Elvas se desenvolver?
ZC - Que as pessoas apostem em projectos inovadores, com qualidade, que não façam por fazer. Que sejam originais e que procurem as coisas boas que temos em Elvas e as desenvolvam.
TP - Temos T-Wine para durar ao mais alto nível?
ZC - Não! Vamos encerrar… Claro que não, sempre ao mais alto nível e para durar.

Agradeço o teres aceite esta nossa conversa, dando a conhecer um pouco do grande amigo Zé Calado. Para saberem mais sobre o T-Wine, o Boss tem o blog http://thegartner.blogspot.com. Visitem pois vale a pena.

Scottish

P.S. - Este fim-de-semana o T-Wine estará encerrado por motivos de manutenção.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

T-Wine ao mais alto nível com Zé Calado (1ªparte)

T-Wine é sem dúvida uma das referências da noite elvense, não sendo à toa que o Três Paixões o considera como local que Vale a Pena.
Desde o seu início o estabelecimento sofreu alterações, tanto estruturais como de ideia base, sendo no princípio um local para o chá das 5, e à noite um restaurante privilegiando o sabor do bom vinho. Mais tarde a ideia não terá tido o sucesso desejado pelos irmãos Calado, e passou a ser um dos bares mais frequentados na nossa cidade.
É o local preferido de muitos, para outros não tanto, sendo justo dizer que o T-Wine é um bar bem concebido, com bom ambiente, e com um proprietário dinâmico, sempre com ideias no sentido de promover o local.
É precisamente com o amigo Zé Calado, o Boss como simpaticamente lhe chamo, que esta semana falei, sobre o T-Wine e os seus projectos pessoais.
A entrevista é dividida em duas partes, sendo amanhã publicada a segunda.

Três Paixões - Como surgiu a ideia de criar um espaço único em Elvas, assentando mais na degustação de chá e vinho de forma a activar um culto, no caso do chá, mais “inglesado”, nada habitual na nossa região?
Zé Calado - A ideia surgiu numa fase inicial, da necessidade de criar um equipamento de apoio à empresa de vinhos, em que o objectivo era poder realizar degustações e conhecer os nossos vinhos sem ter de se deslocar à adega. Os chás vieram em simultâneo, até porque é um produto muitas vezes ligado às degustações e no qual não havia em Elvas nada que fosse alem do tradicional camomila e chá preto.
TP - Sendo arquitecto a imagem é uma das referências do estabelecimento. As fotos da transformação radical feita no bar, são partes importantes na decoração interior. As obras duraram quanto tempo?
ZC - As obras…, iniciaram em 98, pararam 2 anos, recomeçaram em 2000 com alguns problemas, e de 2003 a 2004 é que se realizou a grande parte do projecto. Portanto, o tema principal que inspirou a decoração do T-Wine, tinha de ser as obras de reabilitação do espaço, pela sua dificuldade e complexidade. Na minha opinião deixou um registo do passado bastante interessante.
TP - A inauguração foi o momento mais marcante do T-Wine? Qual a festa mais bombástica?
ZC - Foi um dos mais marcantes, foi a minha estreia no ramo da restauração, e a apresentação do meu primeiro projecto em Elvas. O T-Wine pode gabar-se de ter tido um par de festas bombásticas, mas a mais "bombástica" acho que foi a festa de despedida no final do segundo ano. Uma festa feita em conjunto com a donnaire, na qual superamos todas as expectativas ao atingirmos quase 400 pessoas num espaço como o do T-Wine. E sem dúvida um ambiente ao mais alto nível.
TP - O projecto Tea & Wine não teve o êxito pretendido, dentro de um contexto original e inovador em Elvas. Qual a tua opinião para a ideia não ter conquistado a aceitação dos elvenses?
ZC - Discordo um bocado. Na minha opinião acho que tanto o primeiro conceito como o segundo tiveram êxito, a questão era que o primeiro ocupava uma grande parte do meu tempo, e não poderia nunca ser encarado como um part-time, o que fez com que se tornasse difícil lidar com os meus projectos e a vida de "taberneiro".
TP - Ao se aperceberem que algo tinham de fazer por falta de tempo, qual foi a ideia para voltar a colocar o Tea & Wine na rota das preferências?
ZC - A necessidade de existir um espaço onde o ambiente, a musica e o serviço fosse um bocado mais cuidado. O T-Wine tinha todos os ingredientes para se tornar nesse bar que faltava em Elvas.
TP - Actualmente a denominação do bar é T-Wine em vez do inicial Tea & Wine. Foi uma forma de estabelecer as diferenças entre a ideia original e o conceito actual?
ZC - Sim. T-wine|café , até porque ninguém dizia vamos ao Tea & Wine , mas sim ao Ti, ou T-Wine, e sim alterou a ideia inicial, para um conceito mais de bar/noite, mas manteve a essência, o vinho e chá.
TP - Com a mudança, os dois irmãos dividiram-se na gestão dos vários negócios familiares. O teu irmão está a gerir os vinhos, e tu com a licenciatura em arquitectura, és o responsável de imagem dos vinhos, hotel e restaurante, assim como gestor do T-Wine. Estás a fazer aquilo que realmente gostas, ou preferirias atingir outros objectivos na arquitectura?
ZC - Sem dúvida, gostaria de me dedicar ainda mais à arquitectura, mas acho que consigo fazer o que realmente gosto. Tudo o que se relaciona com imagem, publicidade e organização de eventos, tanto nos vinhos como na restauração e hotelaria. Contudo a área que nestes últimos 4 anos me dediquei mais e com a qual mais desfruto, é o design e cada vez mais a arquitectura.

Amanhã não perca a segunda parte da entrevista ao Boss Zé Calado.

Scottish

terça-feira, 3 de novembro de 2009

João Fernando, a pessoa atrás do micro (2ªparte)

Depois de ontem termos falado do seu início na rádio e da decisão de ficar em Elvas em vez de enveredar por uma carreira no mínimo diferente na RDP, hoje João Fernando fala da sua passagem pelo Linhas de Elvas, o início da Rádio Elvas, o seu dia-a-dia e a sua visão do jornalismo e da nossa cidade.

Três Paixões - Depois do Emissor, por onde “andas-te“ até chegares à Rádio Elvas?
João Fernando - Depois do encerramento em 1994 da RDP Elvas fiquei a tempo inteiro no semanário "Linhas de Elvas" como director-adjunto - onde já colaborava em "part-time".
Ainda ao serviço do "Linhas de Elvas" colaborei entre 1996 e 98 com a Renascença Elvas, onde fiz informação e relatos de futebol.
A partir de Janeiro de 2001 passei a integrar a Rádio Elvas, também como sócio da empresa proprietária desta estação emissora, a SER - Sociedade Elvense de Radiodifusão, Lda.

TP - Como surgiu a ideia de criar a actual Rádio Elvas?
JF - Surgiu a partir de um grupo de amigos que têm em comum a paixão pela rádio e o facto de três deles - eu próprio, o Manuel Carvalho e o António Ferreira Góis - termos passado pela antiga RDP Elvas.
TP - Sentes ter havido evolução da RE ao longo destes anos?
JF - Naturalmente que tem havido uma significativa evolução e uma prova disso é a audiência que temos vindo a conquistar e a abertura a novas formas de comunicação, como o nosso bem sucedido "site" na Internet.
TP - Qual a tua opinião sobre o estado actual do jornalismo nacional?
JF - Há bom jornalismo e bons jornalistas em Portugal. Pena é que por vezes, na pressão do imediato, na vontade de chegar mais depressa que a concorrência, se cometam disparates que em nada dignificam o jornalismo e a respectiva classe profissional.
TP - És o primeiro a chegar aos estúdios quase todos os dias, e prolongas o trabalho até ao princípio da noite. És um adito ao trabalho?
JF - Dedico ao trabalho as horas que julgo necessárias e suficientes. Não me considero um "workaholic" mas na comunicação social temos que nos mentalizar que não se pode ter um horário fixo, tipo "nine to five".
TP - Tens o teu principal apoio na família, mas tantas horas na Rádio não são prejudiciais à saúde física e familiar?
JF - Até hoje tenho conseguido gerir mais ou menos esses aspectos, mas como os anos vão passando, um dos meus receios é precisamente perder a "batalha" em relação à saúde e acompanhar muito pouco a minha família.
TP - Tens objectivos profissionais por conquistar?
JF - Claro que todos temos objectivos por alcançar. De que valeria a vida se assim não fosse?
TP - És como eu um elvense de gema, e não poderia terminar a entrevista sem te perguntar o que pensas sobre o futuro, a curto e médio prazo, do nosso concelho?
JF - Se no nosso concelho for cumprido o desiderato do emprego e da chegada dos grandes projectos estruturantes - como o TGV e a Plataforma Logística -, Elvas está preparada para ser, no futuro, uma região charneira para o próprio País.

Agradecer-te o teres aceite esta conversa de amigos, alterando-se aquilo que habitualmente acontece, ou seja, eu ser o teu entrevistado.
Pretendi apenas dar a conhecer quem é a voz que está há tantos anos atrás do micro.

Scottish

P.S. - Fotos site Rádio Elvas

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

João Fernando, a pessoa atrás do micro (1ªparte)

João Fernando Vinagre é o seguinte entrevistado pelo Três Paixões. Seguramente podemos considerá-lo como o jornalista mais popular da nossa cidade, tantas são as vezes que a sua voz entra nas nossas casas, carros ou empregos, através da Rádio Elvas em FM no 91.5 e no 104.3, ou também pela internet em www.radioelvas.com.
Muitos o ouvem, e aqui, neste cantinho da blogosfera elvense, iremos conhecer um pouco mais a pessoa que está por detrás do micro.
A entrevista será dividida em duas partes, sendo amanhã publicada a segunda.

Três Paixões - O teu sonho de criança era um dia seres jornalista de rádio?
João Fernando - Sem dúvida. Na escola primária, quando os meus colegas jogavam à bola no recreio, eu pegava num ramo de árvore, fingia que era o microfone e... fazia o relato.
TP - Quando começas-te a tua carreira atrás do micro?
JF - Comecei aos 15 anos, na antiga RDP - Rádio Elvas. Ao princípio os colegas diziam-me para falar mais, mas algum tempo depois já me diziam: - João, cala-te!!
TP - Tenho lido as tuas dissertações sobre a actualidade, e gostava de saber se o João Fernando é mais de “falar” ou “escrever”? Jornalisticamente falando claro :)
JF - Sou um misto de falar e escrever. Naturalmente a rádio é onde me sinto como peixe na água, mas a passagem pelo semanário "Linhas de Elvas" fez crescer também o "bichinho" da escrita.
TP - Alguém te incentivou para abraçares esta profissão?
JF - Habituei-me desde miúdo a entrar no antigo Emissor Regional de Elvas com o meu pai, que era colaborador. Posso dizer que não necessitei de incentivos exteriores porque me "empurrei" a mim mesmo para um meio que aprendi a amar.
TP - Houve alguma “brincadeira” de principiante que recordes com um sorriso?
JF - Lembro-me de num dos meus primeiros noticiários me apagarem a luz do estúdio, mas eu continuei a improvisar como se não fosse nada comigo.
TP - Quem foi o teu primeiro entrevistado, e qual a entrevista que mais te marcou?
JF - Uma das primeiras entrevistas de fundo foi ao Joaquim Bastinhas, poucos dias antes dele tirar a alternativa em Évora. Já lá vão 27 anos. Uma entrevista que me marcou foi ao ex-Presidente da República, Mário Soares, e esposa, Maria Barroso, quando em Maio de 1989 fiz equipa com o jornalista Cesário Leitão na cobertura para a Antena 1 da RDP da Presidência Aberta no distrito de Portalegre.
TP - Sei que és 100% profissional e que todo o teu trabalho é feito com empenho e dedicação, mas para ti qual foi o programa onde mais desfrutas-te e porquê?
JF - Os programas de rádio que realizamos acabam por ser como filhos nossos e, como tal, não é possível fazer distinções. Ainda assim, recordo com saudade o "Interiores" e o "Bom Dia Alentejo", ambos na RDP Elvas, e actualmente na Rádio Elvas gosto muito da "Telefonia da Manhã", da "Conversa em Dia" e do "Ponto de Vista".
TP - Depois do fecho do Emissor da RDP Elvas, o primeiro emissor regional no país, e de teres tido a oportunidade de ires para a RDP, pensas que ao teres ficado em Elvas poderás ter perdido a tua grande chance de singrar a nível nacional?
JF - Ficar em Elvas foi, em meados de 1994, a minha opção de vida. Naturalmente que não me arrependo do passo que dei, embora reconheça que teria sido a ocasião para chegar a um patamar distinto.
TP - Porque optas-te por ficar em Elvas?
JF - Optei por ficar em Elvas porque nessa altura estava a adorar a experiência no "Linhas de Elvas" e, além disso, já havia a possibilidade - concretizada apenas oito anos depois - de integrar de alma e coração o primeiro projecto de rádio privada na minha cidade.

Amanhã não perca a segunda parte desta conversa com João Fernando.

Scottish

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Sem Origem para sempre (2ªparte)

Esta é a continuação da conversa com os Sem Origem, onde mostram que a banda está a apostar forte. O último São Mateus também foi debatido, assim como o agradecimento aos fãs, que até criaram um site de apoio.

- Sentem que são mais reconhecidos em Espanha do que em Portugal? Quais as diferenças entre um público e o outro?
S.O. – No que diz respeito à popularidade podemos dizer que estamos quase empatados, mas entre públicos não encontramos diferenças, todos vibram da mesma maneira nos nossos espectáculos e é com imenso gosto que vimos isso cada vez que tocamos. Obviamente que a balança pesa mais para o lado de Portugal, mas estamos a conhecer Espanha e eles a nós, e temos sido muito bem tratados e acarinhados. A Paella e o Jamon são geniais!!!
- Como fazem a vossa divulgação além fronteiras? Por cá o blogue http://semorigem.blogspot.com é suficiente para vos dar a conhecer?
S.O. – Por Espanha temos o nosso representante, Manolo Veja, que se mexe só por terra de “nuestros hermanos”. Enquanto pelo nosso Portugal temos o blog, myspace e à pouco tempo, um grupo de pessoas que apreciam o nosso trabalho, fizeram-nos a agradável surpresa de criar um novo sitio na net, www.semorigemfans.tk e achamos que, para já, tem sido o suficiente para divulgar o nosso trabalho.
- Como fazem para ensaiar, pois cada um tem o seu emprego e horários de certeza muito diferentes?
S.O. – Para fazer o que se gosta arranja-se sempre tempo, mas há horas que são compatíveis e tentamos sempre aproveita-las ao máximo para trabalhar na banda. Depois também existem algumas ideias que podem surgir em qualquer lado, é ai que temos de registar o som ou a letra para depois ser trabalhada o mais rapidamente possível.
- Para o desenvolvimento musical dos Sem Origem, contam com o vosso próprio estúdio, que também serve para outras bandas elvenses gravarem. Estão bem servidos, ou necessitariam de algo diferente?
S.O. – Claro que faltam alguns aparelhos de gama alta, mas para criar uma DEMO com qualidade temos o suficiente. As músicas que por ai circulam dos S.O. foram lá gravadas e até achamos que não estão nada mal!!! (risos)
- A última actuação em Elvas foi durante o último São Mateus, sendo a banda que encerrou o leque de concertos no palco para as bandas jovens elvenses. Penso que este ano a ideia do palco não foi bem sucedida, como referenciei no post sobre o que achei do São Mateus 2009, mas qual vossa opinião?
S.O. – Todo o São Mateus tem de ser repensado. O que aconteceu este ano não agradou a praticamente ninguém. Fizemos questão de o frisar nas duas vezes que subimos ao palco assim como à comunicação social presente. Têm de existir soluções para o que tem vindo a suceder nos últimos anos na Festa dos Elvenses, principalmente na zona dos bares, mas não somos nós que as temos. Nós arranjamos soluções para os projectos em que nos envolvemos, logo as pessoas que decidiram tomar conta dos destinos da Confraria tem de perceber que o nosso São Mateus não está nada bem, e que é necessário fazer algo urgentemente, caso contrário a nossa festa tem os dias contados. Quantidade não é sinónimo de qualidade.
- Quais os projectos imediatos dos Sem Origem? Para quando um disco que se venda a nível nacional?
S.O. – Os S.O. estão neste momento a criar temas novos, quando estiverem prontos iremos trabalhar em estúdio, e para o ano esperamos ter uma DEMO para apresentar às discográficas. E depois logo se vê. Mas para já estamos a trabalhar num registo visual para o tema Ópio. Noticia avançada em primeira-mão. (risos)
- À parte do projecto musical, alguns dos elementos da banda integram a Direcção da SIR – Sociedade de Instrução e Recreio. Sei que pretendem revitalizar um espaço onde muitos elvenses viveram momentos inesquecíveis. Recentemente avançaram com duas ideias que considero muito positivas, como a Industria da Voz e o Tributo a Amália. Qual a aceitação que têm sentido do trabalho desenvolvido na SIR?
S.O. – Sociedade com cara e espírito renovados. Indústria da Voz, Tributos, Desporto, Cultura, Danças de Salão, Danças Afro e muitos outros projectos que estão a ser pensados a curto, muito curto espaço… passem pelo blog http://sirecreio.blogspot.com que vamos dando notícias sobre esta sociedade que está intrinsecamente ligada à história dos Sem Origem.
- Os Sem Origem estão para durar?
S.O. – Isso pergunta-se?????? Sem Origem para sempre…………… Obrigado Scottish

Agradecer aos Sem Origem a amizade para realizar esta entrevista, e dizer que o Três Paixões estará sempre disponível para divulgar o muito de bom que estão a fazer.

Anexo dois links para ouvirem os S.O. no seu melhor, com "OPIO" e "PALAVRA"

Scottish
Uma Paixão, uma opinião pessoal!

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Sem Origem para sempre (1ªparte)

O Três Paixões não alterou apenas o seu visual. Irá também dar vida a outro tipo de posts, como por exemplo o dar a conhecer um pouco mais das nossas gentes.
As entrevistas serão um "habitué" deste cantinho, e para começar em grande, transcrevo a conversa com os embaixadores da música elvense.
Os Sem Origem são com justiça a banda do momento, e por esse motivo penso que não poderia estrear da melhor forma a secção de entrevistas do Três Paixões.
Foi uma conversa informal, desde a fundação da banda, passando pelo belo presente que estão a viver, e que planos têm para o futuro. Os Sem Origem decidiram que o Três Paixões fosse o local para informar em primeira mão, um trabalho importante na vida da banda. Como a conversa foi longa, a entrevista terá duas partes, sendo a segunda publicada amanhã.
Conheçamos melhor o Kikas, o Kiko, o Dinis, o Penetra e o Dinho.

- Sentem que estão no vosso melhor momento?
S.O. – Não só estamos num grande momento como sentimos um grande espírito de união entre todos os elementos, o que para nós é ainda mais importante que a própria “fama”.
- Como surgiu a ideia de formar os Sem Origem? Qual a data oficial do nascimento?
S.O. – Os Sem Origem não fugiram muito ao começo de outras grandes bandas. Este projecto inicia-se numa conversa de café entre mim (Kiko) e o Dinis no fantástico Verão de 1994, mais concretamente no dia 5 de Agosto.
- Sei que é difícil escolher uma, pois todas as canções são feitas com muito empenho e boas sensações, mas qual é a mais representativa dos Sem Origem?
S.O. – Podemos dizer que todas têm um sabor e um significado especial, mas a que sobrevive ao longo de todos os tempos é a “Sem Origem”. É como que um hino para a banda, mas hoje estamos a fazer umas coisas bastante interessantes.
- Porquê essa escolha? O que vos transmite?
S.O. – Faz-nos recordar como tudo começou, é como se toda a caminhada que percorremos até aos dias de hoje se reflectisse nessa música.
- Quais são as vossas referências musicais, as vossas inspirações? Como classificariam o estilo musical da banda?
S.O. – Felizmente temos todos referências musicais diferentes. Fazemos o que a nossa inspiração e os nossos sentimentos nos digam ao criar, mas há quem nos inclua num rock que pode ser inserido entre o alternativo com momentos de rock/pop. Nós acreditamos que um estilo muito “Sem Origem”.
- Houve alguma mudança na música dos Sem Origem ao longo destes anos, como quando criaram a versão acústica com os Soversion. No entanto, gostaria de perguntar se sentem existir alguma mudança de estilo desde o princípio?
S.O. – Existem mudanças mas não perdemos aquele veia “Rockeira” que marcou os S.O., e convenhamos que o avançar da tecnologia também fez com que a sonoridade da banda se alterasse, assim como a mudança de elementos. Os Soversion surgem numa destas fases. A banda sofreu uma remodelação de 50% dos seus elementos, e decidimos fazer um novo projecto para melhor nos conhecermos musicalmente, e conseguir o entrosamento que estávamos à procura. Houve mesmo quem afirmasse que os Sem Origem iriam desaparecer com este novo projecto. Nada disso. Apenas tivemos de dar algum espaço e pensar como começar tudo outra vez. Achamos que fizemos uma boa escolha.
- Os Sem Origem não se remetem apenas a actuar pelo nosso Alentejo. Também contam com actuações na Sala Mercantil em Badajoz, participaram e venceram o Prémio Sierra de San Pedro, Los Baldios y Alentejo, realizado em San Vicente de Alcantara, actuaram em Mérida na cimeira Ágora junto aos Clã e Kátia Guerreiro, e muito recentemente tocaram em Cordoba. Como correu esta actuação por terras andaluzas?
S.O. – Correu muito bem. É sempre um prazer tocar em novos sítios e para novas pessoas. Trocámos os habituais contactos e existe a possibilidade de actuar até na capital espanhola e quem sabe viajar até ao outro lado do Oceano Atlântico. Por tudo isto foi muito proveitoso ir a Córdoba. Estamos a tornar-nos uns verdadeiros homens de negócios!!! (Risos)

Não percam a 2ª parte desta conversa no post de amanhã.

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