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sexta-feira, 20 de novembro de 2009

T-Wine ao mais alto nível com Zé Calado (2ªparte)

Ontem a conversa com o Zé Calado incidiu no arranque do projecto Tea & Wine, na mudança de conceito para o actual bar de noite, do gosto pelo design, e a área na qual centrou os seus estudos, a arquitectura.
Hoje iremos ter a sua opinião sobre as festas de Verão, sobre a "noite" elvense e um breve esboço de melhorias na nossa cidade por parte da veia de arquitecto.

Três Paixões - Nos dois últimos anos tivemos o bar encerrado durante o Verão. Sei que o fecho é por falta de clientela nessa época do ano, mas havendo esplanada, a que se deve o afastamento das pessoas, ao contrário do que acontece no Inverno?
Zé Calado - Eu acho que é por tradição, pois eu mesmo o fazia, mas também pela falta de mais espaços no centro histórico. A esplanada do Nautilus esta interiorizada no nosso subconsciente, já que foi durante anos o ponto de encontro das noites de verão. O T-Wine é sem dúvida um bar de inverno, pelas características físicas e funcionais.
TP - O T-Wine é habitualmente quem "mexe" Elvas no Verão com as suas mega Festas nos jardins do Varchotel. Este ano o leque foi alargado com a "Welcome Summer", a 3ª edição da "I Love 80's", e a "Festa Branca". A que se deveu essa opção?
ZC - Tem a ver com vários factores. Um deles é o que está directamente ligado ao T-Wine, uma vez que encerra no verão, propõe sim pelo menos uma festa por mês, num espaço que cada vez mais tem condições para fazer grandes eventos, e por outro animar um bocado a nossa terrinha que bem precisa.
TP - A Havaiana é a Festa do Verão em Elvas?
ZC - Eu acho que sim, é sem dúvida a festa de verão com mais tradição, que muito antes de eu fazer parte da organização, abrangia um leque de pessoas a nível do concelho e até distrital. Nestes últimos anos foram-lhe dadas cada vez mais condições, ao nível do recinto, do cartaz, e da divulgação, o que fez que alcançasse umas proporções muito consideráveis. Palavras do nosso patrocinador da Bacardi: "a maior festa do Alentejo".
TP - Este ano o investimento aumentou consideravelmente com a vinda do DJ The Fox. Tanto assim foi, que pela primeira vez houve necessidade de se cobrar entrada, situação que muitos criticaram. Sabendo que os "cachets" dos DJ’s são elevados, pensas que foi uma aposta ganha, tendo sido um passo em frente na evolução da Havaiana?
ZC - O meu objectivo este ano foi dar algo mais à Festa Havaiana, tentar alcançar o nível de outras festas feitas em Portugal, recorrendo a um DJ de renome. Essa aposta saiu bastante mais cara do que inicialmente pensava, o que fez com que tivéssemos de recorrer à cobrança de uma entrada, coisa que é feita em todas as festas destas características. Se foi uma aposta ganha? Acho que resultou, mas ainda existem muitas arestas por limar e se a organização da 8ª edição da Havaiana em 2010 estiver a meu cargo, vou sem dúvida criar as condições para tornar a Havaiana uma das melhores festas de verão do Alentejo.
TP - Voltando ao T-Wine, o horário actual é Sextas, Sábados, a primeira Quinta-Feira de cada mês, e vésperas de feriados, até às 2h da manhã, havendo a possibilidade do horário ser alargado até às 4h quando há festas. É o horário ideal para o conceito actual do T-Wine?
ZC - Sim, o T-Wine pela sua estrutura funciona com 5 pessoas no staff, ou 6 em festas, o que faz com que não seja viável o funcionamento durante a semana. O horário... Gostaria de poder funcionar até às 4h como os outros bares, mas no centro histórico está difícil.
TP - Qual a tua opinião sobre a "noite" de Elvas?
ZC - Em primeiro lugar acho que a pessoas gostam de variedade, e disso não temos muito, e em segundo não existe uma aposta na qualidade, nem musical, nem de serviço. Pontuação de 0 a 10, Elvas infelizmente tem um 4!
TP - Estando a falar com um arquitecto, não poderia deixar de perguntar o que achas do nosso Centro Histórico e da candidatura elvense a Património Mundial?
ZC - Acho que Elvas tem potencial, tem características arquitectónicas espectaculares, mas existe muito trabalho por fazer. Estou convencido que poderá lá chegar, mas vai levar muito tempo, há muita coisa para ser feita.
TP - És da opinião que promovendo o Centro Histórico e havendo mais bares como o T-Wine, estes poderiam ser parte importante para manter as pessoas na zona "intra-muros"?
ZC - Sem dúvida, mais bares, mais equipamentos, é uma opção para manter Elvas viva. Eu próprio vivo no Centro Histórico, e as dificuldades ao nível da circulação, estacionamento e ausência de equipamentos, faz com que as pessoas optem por sair do centro.
TP - O que pensas poder ser feito para Elvas se desenvolver?
ZC - Que as pessoas apostem em projectos inovadores, com qualidade, que não façam por fazer. Que sejam originais e que procurem as coisas boas que temos em Elvas e as desenvolvam.
TP - Temos T-Wine para durar ao mais alto nível?
ZC - Não! Vamos encerrar… Claro que não, sempre ao mais alto nível e para durar.

Agradeço o teres aceite esta nossa conversa, dando a conhecer um pouco do grande amigo Zé Calado. Para saberem mais sobre o T-Wine, o Boss tem o blog http://thegartner.blogspot.com. Visitem pois vale a pena.

Scottish

P.S. - Este fim-de-semana o T-Wine estará encerrado por motivos de manutenção.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

T-Wine ao mais alto nível com Zé Calado (1ªparte)

T-Wine é sem dúvida uma das referências da noite elvense, não sendo à toa que o Três Paixões o considera como local que Vale a Pena.
Desde o seu início o estabelecimento sofreu alterações, tanto estruturais como de ideia base, sendo no princípio um local para o chá das 5, e à noite um restaurante privilegiando o sabor do bom vinho. Mais tarde a ideia não terá tido o sucesso desejado pelos irmãos Calado, e passou a ser um dos bares mais frequentados na nossa cidade.
É o local preferido de muitos, para outros não tanto, sendo justo dizer que o T-Wine é um bar bem concebido, com bom ambiente, e com um proprietário dinâmico, sempre com ideias no sentido de promover o local.
É precisamente com o amigo Zé Calado, o Boss como simpaticamente lhe chamo, que esta semana falei, sobre o T-Wine e os seus projectos pessoais.
A entrevista é dividida em duas partes, sendo amanhã publicada a segunda.

Três Paixões - Como surgiu a ideia de criar um espaço único em Elvas, assentando mais na degustação de chá e vinho de forma a activar um culto, no caso do chá, mais “inglesado”, nada habitual na nossa região?
Zé Calado - A ideia surgiu numa fase inicial, da necessidade de criar um equipamento de apoio à empresa de vinhos, em que o objectivo era poder realizar degustações e conhecer os nossos vinhos sem ter de se deslocar à adega. Os chás vieram em simultâneo, até porque é um produto muitas vezes ligado às degustações e no qual não havia em Elvas nada que fosse alem do tradicional camomila e chá preto.
TP - Sendo arquitecto a imagem é uma das referências do estabelecimento. As fotos da transformação radical feita no bar, são partes importantes na decoração interior. As obras duraram quanto tempo?
ZC - As obras…, iniciaram em 98, pararam 2 anos, recomeçaram em 2000 com alguns problemas, e de 2003 a 2004 é que se realizou a grande parte do projecto. Portanto, o tema principal que inspirou a decoração do T-Wine, tinha de ser as obras de reabilitação do espaço, pela sua dificuldade e complexidade. Na minha opinião deixou um registo do passado bastante interessante.
TP - A inauguração foi o momento mais marcante do T-Wine? Qual a festa mais bombástica?
ZC - Foi um dos mais marcantes, foi a minha estreia no ramo da restauração, e a apresentação do meu primeiro projecto em Elvas. O T-Wine pode gabar-se de ter tido um par de festas bombásticas, mas a mais "bombástica" acho que foi a festa de despedida no final do segundo ano. Uma festa feita em conjunto com a donnaire, na qual superamos todas as expectativas ao atingirmos quase 400 pessoas num espaço como o do T-Wine. E sem dúvida um ambiente ao mais alto nível.
TP - O projecto Tea & Wine não teve o êxito pretendido, dentro de um contexto original e inovador em Elvas. Qual a tua opinião para a ideia não ter conquistado a aceitação dos elvenses?
ZC - Discordo um bocado. Na minha opinião acho que tanto o primeiro conceito como o segundo tiveram êxito, a questão era que o primeiro ocupava uma grande parte do meu tempo, e não poderia nunca ser encarado como um part-time, o que fez com que se tornasse difícil lidar com os meus projectos e a vida de "taberneiro".
TP - Ao se aperceberem que algo tinham de fazer por falta de tempo, qual foi a ideia para voltar a colocar o Tea & Wine na rota das preferências?
ZC - A necessidade de existir um espaço onde o ambiente, a musica e o serviço fosse um bocado mais cuidado. O T-Wine tinha todos os ingredientes para se tornar nesse bar que faltava em Elvas.
TP - Actualmente a denominação do bar é T-Wine em vez do inicial Tea & Wine. Foi uma forma de estabelecer as diferenças entre a ideia original e o conceito actual?
ZC - Sim. T-wine|café , até porque ninguém dizia vamos ao Tea & Wine , mas sim ao Ti, ou T-Wine, e sim alterou a ideia inicial, para um conceito mais de bar/noite, mas manteve a essência, o vinho e chá.
TP - Com a mudança, os dois irmãos dividiram-se na gestão dos vários negócios familiares. O teu irmão está a gerir os vinhos, e tu com a licenciatura em arquitectura, és o responsável de imagem dos vinhos, hotel e restaurante, assim como gestor do T-Wine. Estás a fazer aquilo que realmente gostas, ou preferirias atingir outros objectivos na arquitectura?
ZC - Sem dúvida, gostaria de me dedicar ainda mais à arquitectura, mas acho que consigo fazer o que realmente gosto. Tudo o que se relaciona com imagem, publicidade e organização de eventos, tanto nos vinhos como na restauração e hotelaria. Contudo a área que nestes últimos 4 anos me dediquei mais e com a qual mais desfruto, é o design e cada vez mais a arquitectura.

Amanhã não perca a segunda parte da entrevista ao Boss Zé Calado.

Scottish