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quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Badajoz, uma realidade diferente

Por muito que gostaríamos de pensar de outra forma, Badajoz é mesmo uma realidade diferente. E não por ser uma cidade muito maior que Elvas, ou por haver maior capacidade económica. Não! É diferente porque há um dinamismo imensamente maior do que em Elvas. No passado Sábado estive a dar um passeio com a família pelo Paseo de San Francisco (para quem não sabe está em frente ao antigo Simago) e pela praça do Ayuntamiento, para ver a iluminação de Natal e para o meu filho desfrutar dos carrosséis e insufláveis que habitualmente são colocados nessa zona ao longo desta quadra.
O que realmente me causou uma inveja total e absoluta foi o movimento que vi na rua, ver as pessoas a passear, a saborear os "churros", o chocolate quente, um café, comprar amêndoas ou artigos de decoração para o presépio de casa. Tive inveja de ver o trono dos Reis Magos com o pajem a receber as crianças que lhe entregavam a carta com os seus pedidos. Tive inveja de ver músicos a tocar com violinos, grupos a cantarem "villancicos" (cânticos natalícios). Tive inveja de ver muita gente a apreciar tudo isto num parque onde tradicionalmente o Natal é assim. Mas não foi só no Paseo de San Francisco ou na praça do Ayuntamiento que havia muita gente. Atrás do El Corte Inglés há uma quantidade considerável de carrosséis para a pequenada e já podem imaginar a quantidade de gente que havia. E isto para não falar das muitas pessoas que estavam nos Centros Comerciais ou nas lojas do Casco Antíguo a fazerem as primeiras compras de Natal.
Tudo isto promove que as pessoas se desloquem para estas zonas. Este dinamismo é o que reactiva uma zona que estava a cair a pique com a chegada do El Faro. O que é certo é que as pessoas gostam que se promovam estas actividades e o Natal é uma época propícia para isso.

E em Elvas porque não o fazemos? Não sei. Faz-me confusão que continuemos no marasmo habitual sem que ninguém com responsabilidades faça alguma coisa. Este é um problema conjuntural, da responsabilidade de comerciantes, associações empresariais, da Câmara Municipal, de nós Elvenses, e que só em conjunto se poderá solucionar. Temos todas as condições, mas ninguém faz nada para pelo menos juntar as partes interessadas e debater este assunto.
Por isso ouço diariamente que este Natal vai ser um descalabro, que não se vê ninguém nas ruas. E é verdade! Adoraria que as pessoas estivessem erradas, que o Natal em Elvas fosse como antigamente, com muita gente nas ruas a fazer as suas compras ou simplesmente a passear para ver as montras. Infelizmente não vai ser assim e tenho muita pena.

Este assunto vai ser um dos temas na próxima edição das Conversas de Barbearia já no próximo Sábado. Não perca pois será uma tertúlia muito interessante de seguir.

Scottish
Uma Paixão, uma opinião pessoal

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Enquanto uns dormem outros preparam uma gincana comercial


Dando uma "volta" pelos vários sites do outro lado da Eurocidade (leia-se Badajoz), encontro uma notícia no BadajozDirecto que de certa forma me deu mais uma vez inveja e tristeza pela realidade elvense.
O Ayuntamiento e os comerciantes promovem as compras no próximo domingo dia 1 de Fevereiro, com uma gincana comercial no centro de Badajoz. Consiste em encontrar no Casco Antiguo, em Menacho e nos Alfereces, todas as peças ou alimentos de estabelecimentos de restauração que tenham as três personagens criadas para o evento, o Luís, a Laura e a Andrea. Quando os clientes localizarem os artigos, o estabelecimento carimbará uma ficha de participação, que estando completa ou não, será entregue num dos três postos de controlo nas praças de Alfereces, Soledad e San Francisco. Os prémios são convidativos, pois entre os participantes serão sorteados quatro de 100 euros e dez de 50 euros.
Além da gincana haverá mais actividades. como uma visita guiada pelo Casco Antiguo, durante a manhã visitas a Puerta Palmas e à Torre de Espantaperros, trabalhos manuais como pintar máscaras e uma "oca" gigante no Paseo de San Francisco, ou um desfile de um grupo infantil desde a Calle San Juan até à Calle Menacho, além do 31º Crosse Popular "Vuelta al baluarte" ou a exposição dos cartazes das festas carnavalescas no Museu do Carnaval.
Como podemos ler são inúmeras as iniciativas para atrair as pessoas a andarem pelo Casco Antiguo no próximo dia 1 de Fevereiro, que são resposta clara à abertura das grandes superfícies comerciais no primeiro domingo de cada mês.
É este o caminho correcto do comércio tradicional? É! Contra as adversidades há que arregaçar as mangas e puxar pela imaginação para tentar cativar de novo as pessoas. É fundamental que o comércio tradicional se mexa, que não fique à espera que os clientes caiam do céu, mas para tentar recuperar clientela terá de promover acções em conjunto. Cada um por si é "a morte do artista".
É isto possível em Elvas? Pelo que temos visto até aqui e o que perspectivamos para o futuro imediato, ninguém acredita ver este tipo de iniciativas em Elvas. É isso que me entristece, pois vemos o comércio tradicional a encaminhar-se rapidamente para uma morte anunciada.
Como se pode ver no vídeo publicado no post anterior, o Centro Histórico elvense está frequentado quase exclusivamente pela população sénior, num hábito de muitos anos, o que não acontece com as gerações seguintes. A "cidade" deixou de ser atractiva em todos os sentidos para os que vivem nos bairros periféricos. Muitos de certeza que ao lerem este post dirão que "há séculos que não vou lá acima". Relembro que actualmente os habitantes da zona intra-muros são na sua maioria os seniores com reformas baixas, os imigrantes dos países do leste e a comunidade cigana que vivem dos rendimentos sociais, ou os sem-abrigo que deambulam sem rumo à espera que o dia passe.
Com este panorama esperamos por um milagre? Penso que nem com intervenção divina isto se endireita. Enquanto uns dormem outros preparam gincanas comerciais para atrair as pessoas...

Foto: BadajozDirecto

Scottish
Uma Paixão, uma opinião pessoal